Dissertação de Mestrado: Anderson Ribeiro
A presente dissertação investiga a relação entre Infoalfabetização e autonomia tecnológica entre estudantes do sétimo ano do ensino fundamental, considerando as desigualdades estruturais existentes entre contextos educacionais distintos e os impactos na autonomia tecnológica do Brasil. O problema de pesquisa parte da constatação de que o avanço da transformação digital no ambiente escolar nem sempre se traduz em desenvolvimento efetivo de competências digitais críticas, reflexivas e autônomas, especialmente em realidades marcadas por assimetrias de acesso, infraestrutura e formação. O objetivo geral consistiu em analisar a associação entre o nível de Infoalfabetização e a percepção de autonomia tecnológica entre estudantes de escolas públicas e privadas, testando-se a hipótese de que maiores níveis de Infoalfabetização estariam positivamente associados a maiores níveis de autonomia tecnológica. Adotou-se abordagem quantitativa, de caráter descritivo e comparativo, mediante aplicação de questionário estruturado em escala Likert a 80 estudantes, distribuídos igualmente entre instituições públicas e privadas. Os dados foram coletados por meio de formulário eletrônico, tratados, higienizados e analisados a partir de rotinas computacionais automatizadas desenvolvidas pelo próprio pesquisador em linguagem Python. Procedeu-se à construção de dois indicadores compostos: Índice Médio de Infoalfabetização (IMI) e Índice de Autonomia Tecnológica (IAT). Para análise estatística, aplicou-se inicialmente o teste de normalidade de Shapiro-Wilk, cujos resultados indicaram ausência de distribuição normal, conduzindo à utilização de procedimentos não paramétricos subsequentes, especificamente o coeficiente de correlação de Spearman e o teste de Mann-Whitney. Os resultados evidenciaram correlação positiva forte e estatisticamente significativa entre Infoalfabetização e autonomia tecnológica (ρ = 0,6469; p < 0,001), confirmando a hipótese central da investigação. Também foram identificadas diferenças estatisticamente significativas entre estudantes das redes pública e privada, com médias superiores para a rede privada tanto no IMI quanto no IAT. Conclui-se que a autonomia tecnológica não decorre exclusivamente do acesso físico às tecnologias, mas depende diretamente da formação crítica, reflexiva e pedagógica voltada ao uso qualificado dos recursos para transformação digital. Os achados reforçam a necessidade de políticas educacionais orientadas à democratização da formação tecnológica crítica, contribuindo para redução das desigualdades digitais e fortalecimento da transformação digital educacional.
Palavras chave: Infoalfabetização; Autonomia Tecnológica; Inclusão Digital; Competências Digitais; Educação Básica.

